Pandemia reflete no caixa, mas Real Madrid mantém balanço positivo

O Real Madrid foi um dos clubes que soube lidar de forma coerente e precisa com os riscos financeiros que surgiram por conta pandemia da Covid-19. Em uma temporada totalmente atípica e com muitos cortes na renda, a administração do clube teve êxito e terminou com um balanço financeiro apontando um saldo positivo.

A redução de gastos – cortes em contratações, diminuição de salário de jogadores do Castilla e dos primeiros elencos de futebol e basquete – foi uma atitude administrativa necessária que contribuiu para o balanço final do caixa da instituição não ser negativo. Segue abaixo os números do balanço:

Solvência
É o índice que aponta a capacidade de pagamentos da empresa, isto é, qual o nível de comprometimento que tem como devedor. Desde o fechamento de 2013-14, o clube tem obtido um crescimento relevante e atualmente está acima do recomendado (1,5). Isso se deve pelo aumento do ativo, que são os bens de direito – devedores, por exemplo – que podem se converter em dinheiro a longo prazo.

O nível de solvência do Real Madrid é de 1,88.

Dívida Líquida
Se trata do volume de empréstimos e financiamentos subtraídos do caixa e equivalentes de caixa, ou seja, mostra o valor ou grau de endividamento da empresa. Atualmente (2019) possuí um saldo negativo de -27, porém é menos do que foi fechado em 2018 com -107. Nos últimos 20 anos é a oitava vez que sua dívida líquida fecha em um valor negativo.

Estar com saldo negativo quer dizer que, em termos mais operacionais, está menos rentável. Contudo, não está necessariamente representando prejuízo.

Patrimônio Líquido
Em um termo mais simples, o patrimônio líquido é a riqueza total jurídica ou de pessoa física. Esse resultado é obtido pela somatória de todas as obrigações financeiras, subtraindo o resultado do valor que possuí em caixa. O fechamento feito, com o ano de 2019, mostrou que o Real Madrid possuí um patrimônio de 533 milhões de euros, tendo um crescimento de 38 milhões desde 2018.

Contextualizando o que a crise sanitária representou ao clube, temos o valor de lucro esperado: a administração financeira da instituição tinha a previsão de arrecadar 40 milhões e acabou fechando em 320 mil. Entretanto, é um saldo positivo quando condicionamos ao cenário atual devido o corte direto de retorno financeiro do clube no primeiro semestre de 2020. Mesmo com uma queda absurda a saúde financeira do Real Madrid não é preocupante.

Renda gerada por sócios, ingressos e transmissões*
Podemos dizer que o Madrid ainda possuí sua renda gerada pelos sócios e direitos de transmissão em estabilidade linear. O crescimento é de ano em ano, com uma boa média para os dois. O salto do último balanço para o atual é considerável, mesmo que a crise sanitária tenha atingido o relacionamento financeiro entre clube e sócios.
Em 2018-19: 172,991 (Transmissões)
54,280 (Sócios e ingressos)
Em 2019-20: 177,561 (Transmissões)
56,098 (Sócios e ingressos)

Comercialização e publicidade*
O orçamento nesta temporada fechou com uma receita de 371 milhões de euros, sendo o clube com maior renda por comercialização e publicidade no mundo.

Gasto esportivo e não esportivo*
Houve um aumento nas despesas com o pessoal esportivo e não esportivo, assim como vem acontecendo ano a ano, embora haja temporadas com mais gastos devido a premiação por ganho de títulos. 2019-20 fechou em 456,469.

*Valores calculados antes da pandemia.